sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Os livros que eu leio
sábado, 5 de novembro de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
SOBRE O PL 122
Mauricio Cunha
para:
07/06/2011 10:33
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Nos últimos tempos ficou notória a mobilização da Igreja cristã em torno do polêmico projeto de lei 122, a chamada lei da “Homofobia”. Embora o projeto traga equívocos claros e mereça ser debatido, gostaria de aproveitar esta oportunidade para fazer uma análise crítica em relação ao posicionamento e a ação da igreja evangélica (falando aqui em termos genéricos) neste episódio.
Na minha visão, é lamentável que a Igreja, que há muito tempo tem ignorado a questão da homossexualidade, suas complexidades e implicações, esteja se manifestando de forma tão veemente acerca desta questão apenas quando um dos seus direitos (no caso, da livre expressão a partir da liberdade de consciência) é ameaçado. Desta forma, a Igreja age com qualquer outro grupo na defesa dos seus direitos, não representando nenhum diferencial na arena social.
É lícito, numa democracia, um grupo manifestar-se e procurar mobilizar a sociedade em defesa da sua visão de mundo e dos seus ideais. Mas é triste perceber que toda esta capacidade de mobilização da Igreja não se dá da mesma forma em temas–chave da Reforma social e da Justiça do Reino, como pobreza, violência, corrupção, gênero, etc. A verdade é que a Igreja evangélica continua obcecada pela sexualidade e os seus “pecados”. Como exemplo, cito o fato de que recentemente, estamos tendo a discussão sobre o novo Código Florestal Brasileiro, tema de fundamental importância relacionado à mordomia da Criação e ao futuro das próximas gerações, mas onde e de que forma está a igreja cristã se mobilizando?
Como conseqüência desta tendência, assistimos a uma polarização entre os evangélicos e os movimentos GLBTT e segmentos da imprensa que só tem fortalecido estes últimos. Pior: ao invés de atrair os homossexuais para o amor de Deus, temo que estamos afastando-os cada vez mais da oportunidade de conhecer a graça regeneradora e salvadora de Jesus Cristo, da qual todos (“homos”, “héteros”, “bis”, e o que quer que seja) igualmente carecem desesperadamente.
Ainda estamos muito longe, como Igreja, de um projeto de militância e de reforma social mais abrangente e integral, embasado biblicamente e alicerçado no serviço.
Como Igreja, dizemos que não somos homofóbicos, mas lamento constatar que sim, somos, apesar do velho discurso “condenamos o homossexualismo, mas amamos os homossexuais”. O fato é que tememos tudo aquilo que não entendemos bem. E está claro e notório neste episódio que a igreja não tem se aprofundado nas complexas questões ligadas à homossexualidade, pelo discurso que ainda reina de “opção” sexual (como se alguém escolhesse, num joguinho de “par ou ímpar”, se vai ser homo ou hétero), e não de “orientação” sexual, profundamente arraigada na identidade pessoal. Ou na confusão entre união civil e casamento, na incompreensão acerca do papel que um Estado laico deve ter na defesa dos direitos dos seus cidadãos (mesmo que esses não professem a mesma moralidade que eu), ou até mesmo por achar que assistir a uma novela vai tornar alguém homossexual.
Não se trata aqui de defender ou não a prática homossexual, tampouco de ignorar as influências da aceitação de determinadas práticas culturais no comportamento de indivíduos. trata-se, sim, de fazer uma análise crítica do posicionamento político da igreja brasileira nesta questão. Na minha visão, deveria ter sido a Igreja a primeira a propor (através dos seus representantes nas esferas políticas e de seus formadores de opinião) uma lei ou um movimento contra a homofobia, equilibrado e consistente. Aliás, contra qualquer forma de discriminação e violência de toda ordem contra grupos minoritários, formados por pessoas humilhadas, desprezadas, e oprimidas da nossa sociedade. Precisamos entender que a redenção na esfera política (entendida aqui como a esfera de poder e influência na sociedade) vai muito além de defender os próprios direitos e interesses, mas sim lutar pela justiça. Isso sim seria o agir de uma Igreja verdadeiramente transformadora.
domingo, 8 de maio de 2011
Os livros que eu estou lendo
Foster (o mesmo autor do clássico "Celebração da Disciplina") surpreende com uma brilhante narrativa histórica e teológica das diveras tradições da fé cristã.
A leitura sobre as diferentes escolas permite um conhecimento amplo do agir redentor de Deus na História, abrindo o coração e a mente para Sua multiforme sabedoria e criatividade. Este tipo de leitura ajuda-nos a contemplar a diversidade e a grandeza da obra de Deus, tornando-nos mais tolerantes à diversidade e ao ecumennismo cristão. Isso nos reafirma que ninguém jamais foi capaz de ter e entender a plenitude da revelação divina, por isso precisamos estar constantemente abertos à vida de Deus no próximo e ao agir do Espírito, este sim, completo, pleno e suficiente.
As seis tradições são:
- Tradição contemplativa: descobrindo a vida de oração plena
- Tradição de santidade: descobrindo a vida virtuosa
- Tradição carismática: descobrindo a vida no poder do Espírito
- Tradição de justiça social: descobrindo a vida compassiva
- Tradição evangelical: descobrindo a vida centrada na Palavra
- Tradição sacramental: descobrindo a vida sacramental
Para cada tradição, Foster faz um resgate histórico, exemplificando com a biografia de uma santo, um personagem bíblico de referência e uma inspiração contemporânea, apontando as fortalezas e perigos daquela ênfase.
Ao final do livro, o autor aponta os principais fatos e as figuras notáveis e os movimentos mais significativos na história da Igreja.
Um verdadeiro banquete sobre a nossa herança!
Políticas de Deus e Políticas dos Homens, de Jacques Ellul
Jacques Ellul analisa exaustivamente os personagens do segundo livro de Reis, para, à luz da História de Israel, brilhantemente refletir com profundidade sobre a tensão liberdade de Deus X liberdade humana.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Por que vocês são pobres? de William Vollmann
Um super interessante ensaio jornalístico onde os pobres respondem, do ponto de vista deles mesmos e acima das teorias sociológicas, filosóficas, políticas e econômicas, as razões da sua própria pobreza, em diferentes contextos e situações.
Obra Poética II - Poesias de Alberto Caeiro, de Fernando Pessoa
Heterônimo de Fernando Pessoa, poeta da Natureza, do concreto, dos sentidos, da incredulidade, traz alguma tristeza e pesar. Mas um pouco de boa poesia não faz mal a ninguém.
Os Caminhos de Mandela - Lições de Vida, Amor e Coragem, de Richard Stengel.
Decidi ler sobre Mandela depois que visitei Robben Island, a ilha onde ele ficou preso por
18 anos, nas proximidades da Cidade do Cabo, África do Sul, em outubro de 2010. Uma verdadeira inspiração deste ícone idealizado e santificado do nosso tempo. Nada supera a vida real na produção das mais fantásticas histórias.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Lausanne III - Cidade do Cabo, África do Sul
Esse foi o tema do III Congresso Mundial de Evangelização, que acabou de acontecer na Cidade do Cabo, África do Sul, também conhecido como Lausanne III – por causa do primeiro congresso que aconteceu no ano de 1974 em Lausanne, Suíça.
O congresso de 74 foi um marco para o mundo evangélico protestante, contando com a presença de 2700 delegados de 150 países. O Congresso de Lausanne elaborou um documento chamado Pacto de Lausanne, que se tornou referência para uma boa parte importante do mundo evangélico da América Latina.
A principal contribuição do Pacto de Lausanne foi a formação de um “novo” conceito teológico ou novo paradigma missionário denominado Missão Integral, que passou a identificar os evangélicos com a preocupação social, uma união entre evangelização e ação social. Estas duas faces passaram a ser entendidas como dois lados da mesma moeda. Inúmeras organizações e iniciativas missionárias se inspiraram neste conceito.
O Congresso na Cidade do Cabo contou com 4 mil delegados de aproximadamente 200 países. Tive o imenso privilégio de participar deste verdadeiro “Concílio de Nicéia” dos nossos tempos, um banquete da Igreja. Foi lindo ver gente de tantas cores e culturas tão diferentes unidos por uma missão e identidade comum. Foi incrível o encontro com a Igreja sofredora, ouvir história de pessoas que sofrem e tiveram membros de sua família mortos por causa do testemunho do evangelho em países como Coréia do Norte e Afeganistão. Deus está vivo e atua hoje através das nossas vidas!
O Congresso pautou-se fortemente por temas de nosso tempo como: reconciliação inter-étnica, povos não-alcançados, a mulher e o Evangelho, pluralismo, etc. Uma das questões marcantes para mim foi o reforço da não-dicotomia entre evangelismo e ação social, que constituem aspectos indissociáveis do agir redentor de Deus. Mas talvez o que mais me marcou foi a contínua afirmação da verdade bíblica num mundo pós-moderno tão fragmentado e relativizante. Cristo foi exaltado como o único e suficiente Senhor e Salvador, a Verdade revelada e a provisão de Deus para nossa reconciliação com Ele. Encerramos o Congresso com um dos mais belos cultos que eu já vi, com a participação da família dos povos representados nos 4000 delegados, uma orquestra e belíssimo coral de umas 300 vozes, entoando o Credo Apostólico, confessando os pecados da Igreja e das Nações, e exaltando a pessoa de Jesus sob a fortíssima presença do Espírito Santo nos capacitando e enviando para esta tarefa ainda inacabada. O legado de Lausanne III é o reforço do senhorio de Cristo como única esperança para a Humanidade.
Obrigado aos queridos irmãos e irmãs que lembraram de orar,e, desta forma, foram comigo. Obrigado ao Pai por esta oportunidade ímpar.
http://www.lausanne.org/cape-town-2010/participate-online.html